quarta-feira , 22 maio 2013
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A Camisa 10 é do Patrocinador

A Camisa 10 é do Patrocinador


A exposição das marcas em camisas de futebol

“Lembra daquela da Kalunga, do brasileiro de 90?”
“E aquela da Parmalat, do bi 93-94?”
“Até hoje tenho a da TAM do bi-mundial de 92-93“
“Na época do Pelé a camisa era lisa, não tinha anunciante”

Frases acima podem ser ouvidas entre os torcedores de times de futebol – isso citando só os 4 grandes clubes de São Paulo.
Se percorrermos o país teremos diversas histórias de torcedores de outros clubes.

Segundo pesquisa do Datafolha entre novembro de 1993 e abril de 2010 as torcidas aumentam basicamente entre as crianças e a tendência é que esse torcedor mirim continue vibrando por seu clube de infância pelo resto da vida.
Os jogadores mudam, o design das camisas mudam, o tecido muda, o clube passa por altos e baixos – o que pode fazer com que o torcedor perda um pouco o interesse durante o tempo de vacas magras – e obviamente, devido a diversas questões, os patrocinadores mudam.

Com isso, a camisa ganha uma característica peculiar: de camisa do “Time X” passa a ser do “Patrocinador Y”.
Os torcedores associam épocas vitoriosas aos patrocínios, bem como épocas de crise e derrotas. Marcas fazem época, outras são rapidamente esquecidas.

O patrocinador tem exposição em massa, pois é visto em todos os veículos de comunicação – exceto no rádio – e o mais importante, constrói relacionamento com o torcedor, que quando veste sua camisa expõe a marca involuntariamente por onde passa. A marca está associada ao seu time e mais ainda, ao seu cotidiano.
Quando o clube está numa final de campeonato, caso do Corinthians na próxima 4a feira 04/07, a exposição é ainda maior. E isso dura por anos.

E pode ser até mesmo um instrumento de pura provocação: em sua época como cartola do Vasco, Eurico Miranda chegou a colocar o logotipo do SBT – de graça! – nas camisas do clube durante a final da Copa João Havelange, torneio que substituiu o campeonato brasileiro do ano 2000. Ele havia tido um desentendimento com a Rede Globo, que transmitiu a partida.

Além disso, nos games de futebol os clubes tendem a ser fielmente representados, com os jogadores, as cores da camisa e os patrocinadores. E mesmo que os desenvolvedores não conseguirem os direitos, sempre há torcedores que criam patchs e disponibilizam para os outros jogadores.

Curiosamente, grandes clubes têm tido problemas para conseguir patrocinadores fixos em suas camisas. Há patrocinadores pontuais, dependendo das partidas – o que também é extremamente lucrativo – mas a principal dificuldade é conseguir um parceiro máster.

Segundo o site Globoesporte.com o Corinthians – atualmente um dos clubes sem patrocinador fixo – pede R$ 30 milhões para estampar a nova camisa e Flamengo e São Paulo querem R$ 20 milhões cada.
Segundo pesquisa do Ibope em 2010, só esses 3 clubes somavam cerca de 76 milhões de torcedores no Brasil.

“Lembra da Libertadores de 2012? Jogamos sem patrocínio…”
“Naquele ano em que o Ronaldinho saiu, nem teve patrocinador né?”
“Chegamos na semi da Copa do Brasil, mas qual era a camisa mesmo…?”

Pelo visto, para os torcedores desses clubes nos próximos anos as lembranças podem ser outras, bem diferentes do inicio desse artigo.

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