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A própria lei

Murphy era um rapaz de classe média que vivia na zona sul de uma grande capital. Essa crônica conta um pouco de sua vida, que pode ser conhecida já, por você.

Era dia de reunião no trabalho. Uma reuião que decidiria o futuro da empresa. Murphy iria apresentar alguns slides e controlar o curso de todo o planejamento anual. Toca o despertador. Do vizinho. São nove horas e a reunião era às oito.

Murphy pula da cama, desesperado. Seu despertador quebrara. Não o suficiente para satisfaze-lo, então ele joga o aparelho longe. Pega na cabeça de sua prima. Ela cai em cima do seu notebook. Estava na terceira prestação e a apresentação estava lá.

Depois de comer e se arrumar, liga para a sua empresa. Todos já saíram da reunião e foram para seus respectivos escritórios. Murphy fica desolado. Se apressa para chegar e conseguir reunir todos novamente.

Está frio. Seu carro é a alcool e ele não consegue dar a partida. Ele tem que ir de ônibus. Não é problema. Já tinha ido outras vezes de condução pública. Sai de casa na pressa. Chegando no ponto, vê três dos seus três ônibus passando. Corre para pegar o último, mas não consegue.

É um estranho na vida de Murphy. Ele realmente não entende o motivo das coisas não darem certo para ele.  Então, de súbito, resolve ir para casa. Afinal, nada tão ruim pode piorar. O dia certamente daria coisas boas para ele.

Ao abrir a porta de casa, percebe que sua mulher está na sala com outro homem. Era uma traição. Agora sim, o dia não podia ser pior. Ele acirra os olhos e percebe que o amante é seu primo. Leva a mulher no cartório para assinar a separação. Ficam na fila por duas horas e assistem a fila do lado andar livremente. Inclusive seu primo, o amante, passou por aquela fila. Desiste da separação. Volta pra casa. Ela vai pra casa da mãe.

Ele, sozinho em casa, entra na banheira pra relaxar. Toca o telefone. Está na sala. Ele deixa tocando. Quer relaxar. Sai do banho e vai tomar um café da tarde. O pão cai no chão. Adivinha o lado que fica pra cima? Ele se desespera. Sai correndo para a rua, pelado. Quer chamar atenção pra sua loucura. Não tem ninguém pra ver.

Murphy chega naquele estado de insanidade que todos chegam um dia. Pensa em se matar e vai até a avenida mais movimentada. Se joga na frente do ônibus. Antes de ser atingido, percebe que é um dos que ele pegaria pra ir trabalhar. Uma lágrima cai de seu olho e ele se esquiva da batida. Mas o susto foi grande e Murphy sofre de um mal súbito chamado “falência múltipla de células” e morre.

Finalmente ele conseguiu o que desejava. Estava livre do azar e dos dias intermináveis. Mas, nada é tão ruim que não pode piorar. Como diria alguém.

Um grupo de cientistas do governo passava no local e se interessaram pela doença nova de Murphy. Congelaram ele para experiências futuras. Nos dias atuais não teriam como o trazer de volta. De qualquer forma, esqueceram Murphy congelado a partir do momento que o Silvio Santos morreu. Deram atenção especial para o apresentador e esqueceram do protagonista da crônica.

Cem mil anos no futuro, Iced Murphy finalmente é descongelado. Mas o mundo está muito diferente. Deserto. Sem construções, sem vida. Ele dá o primeixo passo para conhecer o novo universo. Acha um bilhete no chão:

“Murphy. Te liguei cem mil anos atrás para te dar uma promoção de trabalho incrível. Mas você não atendeu o telefone”

Atônito, ele fica parado, pensando naquela mensagem. Mas é atropelado pelo ônibus voador que ele poderia pegar para trabalhar.

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