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Cyber Brasileiro em Cannes – Parte 2 (entrevista com @Neto)

“Dando continuidade a discussão sobre o desempenho brasileiro de cyber em Cannes, eu entrevistei o Neto (Mentor Muniz Neto) VP de criação da Bullet  e um dos twiteiros que mais indico (lincar o twitter www.twitter.com/neto).
Veja o que ele pensa a respeito:

 

1) Um prêmio em Cannes é com certeza um grande feito. Mas não ganhar, significa que o trabalho está errado? O prêmio é o que realmente importa?

Claro que não. O objetivo básico de uma campanha é responder ao briefing do cliente e não ganhar prêmios.

Só que para atingir os objetivos de clientes e marcas, cada vez mais precisamos encontrar maneiras novas de falar com o consumidor para capturar sua atenção.

Acho que prêmios são fundamentais para destacar aqueles trabalhos que estão fora da curva, que são soluções novas para velhos e novos problemas.

Só isso.

Não ganhar prêmios é apenas um indicador de que você não está inovando em relação ao que é feito no mundo.

É menos um problema e mais um alerta.

2) No seu texto você cita outras categorias brasileiras que não levaram tantos leões, como em cyber. O problema é maior do que parece?

São raras as campanhas mundiais que são criadas no Brasil. Assim, em muitas disciplinas, não temos a liberdade, as verbas e principalmente a expectativa/exigência por um trabalho “outstanding”.

Acho que isso faz com que, em várias disciplinas, como Promo por exemplo, nossas campanhas sejam mais tacanhas e menos ambiciosas.

Então sim, acho que não é só em Cyber que tivemos um resultado fraco. Acho que precisamos ser mais ambiciosos em Promo, PR, etc.

3) Para Raphael Vasconcellos, da AgenciaClick Isobar e um dos jurados brasileiros do festival “o Brasil ainda faz o ‘cyber’ que fazia seis anos atrás”. Paramos no tempo?  O problema esta na criação?

Concordo com o Raphael, mas definitivamente não acho que o problema se limite à criação. Criar o inusitado, o novo, o premiado, depende de uma postura de todas as áreas da agência.

4) Você fala algumas vezes em um personagem no seu texto: o “rei”. Quem ele representa? Os clientes/anunciantes?

Você é que me responda. 🙂

Na visão do Pyr o digital do Brasil não tem o brilho e a importância que os outros meios têm. A seu ver, qual o problema do cyber nacional?

Tem um pouco a ver com o que eu respondi na questão 2. Mas não acho que seja só em Cyber não. Acho que a gente ainda tem “sub-disciplinas” no Brasil. O nefasto “BTL” por exemplo. E isso é uma pena, porque as grandes campanhas no mundo são aquelas que respeitam o potencial de cada uma das ferramentas.

6) Além dos prêmios, como vê o cyber brasileiro em comparação com os outros?

Não estamos bem. De novo, nem em Cyber, nem em Promo, nem em PR. Nessas disciplinas, temos poucos bons trabalhos na rua, de verdade. Mas não acho que a culpa seja só dos profissionais. Alias, mais do que achar culpados, acho que a gente tem é que provocar discussões que envolvam quem efetivamente brifa e aprova campanhas.

7) O Brasil é o segundo país que mais cresce no Facebook, a porcentagem da população com acesso a internet cresceu, como a venda de smartphones e computadores.  Mais de 80% acessam as redes sociais. A compra coletiva vem se tornando habito dos brasileiros. Estes são indicadores de que o mercado está aquecido. Qual a relação destes dados e o mau desempenho nesta categoria em Cannes?

Acho que esse é um sinal de como não aprendemos a calcular o nível de risco de nosso mercado.

Anunciantes daqui e de fora ainda não se deram conta da tal aderência brasileira ao online.

Esse recado de “pode arriscar que o brasileiro vem junto” precisa ser passado sobre pena de continuarmos tacanhos

8) É natural que novas tecnologias (novos gadgtes, softwares, etc) tardem a chegar ao Brasil. Você acha que esse lapso de tempo, faz com o país já saia atrás nessa disputa?

De certa forma, esse atraso nos gadgets é uma forma tangível de perceber o que falei na segunda pergunta. Não acho que seja esse o problema, mas acho que ilustra nosso isolamento.

Acha que o mercado brasileiro de digital ainda é imaturo?

Pelo contrário. É incrível como num país tão “aderente” à novas ideias digitais,  seja tão raro projetos inovadores.

10) O que, em sua opinião, deve mudar?

Grau de exigência.  Mudar a cabeça de quem paga e de quem cria. É só isso que tem que mudar. Todos os players, clientes e agências, precisam entender que precisamos ser melhores do que estamos sendo. Que estamos perdendo o trem da história. Que estamos oferecendo um trabalho apenas competente e que, ao longo do tempo, isso não é suficiente.

Acho que tem que acontecer uma mudança no jeito dos anunciantes lidarem com suas exigiências nas campanhas de Cyber, Promo e PR.

11) A discussão é muito extensa. Não há uma verdade absoluta, assim como não há uma solução que vá resolver de imediato. Gostaria de acrescentar algo?

Como você disse, essa conversa vai longe :)”

Post de Pedro Oliveira

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