Jogar não é o suficiente – Falando sobre Games com o Studio Miniboss

Entre os garotos os games são quase uma unanimidade e entre as garotas arrastam milhares de fãs. Pessoalmente gosto bastante, nunca nego um convite para uma partidinha com os amigos e observo que cada dia as ambientações, as historias e o envolvimento que temos com os personagens e com os demais jogadores está ficando cada vez mais profunda e elaborada. Entretanto os jogos mais simples não perdem espaço, fui da época do Atari e o Pacman ainda hoje preenchem meus tempos ociosos. Fato é que a frase “faça o que gosta e nunca precisará trabalhar” e a constante afirmativa que o mercado está cada vez mais aquecido, motiva todos os dias milhares de jovens a idealizarem seus próprios jogos. A grande verdade é que somente gostar de games e da experiência que cada um proporciona é bem distante do que é preciso saber para desenvolver um. Dentro de um só level de um jogo complexo são necessárias tantas habilidades que dificilmente um admirador muito criativo, conseguiria sair do roteiro sozinho.

O projeto Jovens e empreendedores todo dia me rende a possibilidade de conhecer mais pessoas e descobrir mais universos. Foi assim que cheguei até a Amora e o Santo, os responsáveis por um estúdio de desenvolvimento de games 2D chamado Miniboss que gentilmente cederam uma entrevista super bacana falando sobre a realidade do que é desenvolver games, o dia a dia deles e muito mais. Confira alguns trechos!

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– Como a ideia surgiu e como fizeram para que ela desse certo? 

Bem, sempre tentamos fazer jogos, desde crianças, mas nunca deu muito certo. Quando nos conhecemos, vimos que tínhamos muitas opiniões em comum sobre o assunto e muitas ideias de projetos, então resolvemos tentar fazer jogos juntos. Queríamos mostrar os projetinhos que estávamos fazendo para amigos e familiares, por isso criamos um blog para nossos jogos e o chamamos de MiniBoss.

– Existem peculiaridades dentro do universo de desenvolvimento de games? Quais?

Eu não consigo falar muito sobre a área de desenvolvimento de jogos em geral, pois somos desenvolvedores independentes e isso acaba sendo bem diferente e específico. O que posso dizer é que no Brasil ainda é tudo muito básico, um monte de pequenas empresas tentando fazer o próximo Angry Birds e eventos de jogos onde palestrantes precisam pagar para entrar. Está melhorando aos poucos, mas ainda é uma coisa que ninguém leva muito a sério, infelizmente. Paralelo a tudo isso, temos o pessoal indie, ou independente, que costuma aprender tudo sozinho e faz seus jogos em casa. No Brasil nós funcionamos como bandas de rock; cada grupo tem seu estilo, seu nome, e normalmente sem CNPJ porque ninguém tá a fim de ser empreendedor, apenas expressar suas ideias através dessa mídia incrível que é o videogame. Tentamos nos ajudar, organizar encontros para trocar feedback e fazer gamejams (maratonas de 48 horas de desenvolvimento de jogos). Praticamente todos os indies brasileiros estão meio que aprendendo juntos e um vai puxando o outro, tem sido muito legal, mas ao mesmo tempo bem difícil.

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Screenshot do jogo TowerFall

– Todo dia a gente escuta que o mercado de games está em constante ascensão. Pra vocês que trabalham na área, toda essa demanda é fato ou mito? 

Tem bastante demanda, sim, mas antes você tem que se provar de algum jeito. Até lançarmos nosso primeiro jogo, o Out There Somewhere, nós tínhamos que trabalhar com outras coisas, como publicidade, animação etc. Hoje trabalhamos apenas com jogos, e temos que recusar trabalho quase todo dia, mas foi algo que conquistamos bem aos poucos.

– O que uma pessoa precisa ter/ saber para se jogar nesse mercado?

Acho que a pessoa precisa ser muito boa em alguma coisa, pode ser programação, arte, música. Ela pode ser só um pouco boa em cada coisa e depois ir se especializando aos poucos, depende de cada um. O importante é não achar que vai ser fácil fazer jogos sem ser bom em nada. Estar cheio de ideias boas, todo mundo está, o difícil é fazer essas ideias funcionarem. Por isso é importante estudar muito e estar interessado em aprender coisas novas sempre.

– Que conselho vocês dão para quem está perdido, mas que se encanta pela produção de games e de concept art?

Eu acho que a pessoa tem que parar e tentar imaginar o que ela realmente quer fazer. Gosta de fazer jogos ou apenas gosta de jogos? São coisas diferentes. Se a pessoa é criativa, produz coisas desde criança, começa vários projetos pessoais, então é bem provável que ela vai curtir fazer jogos. Acho que o primeiro passo é sentar e tentar começar um joguinho, a internet está cheia de tutoriais bacanas, programas para fazer jogos onde você nem precisa saber programar, assets de graça para quem não sabe desenhar etc. Ficar esperando a equipe perfeita, a faculdade perfeita, um monte de tempo livre, não acontece, tem que se mexer.

Para conhecer mais do trabalho deles acessem: blog.studiominiboss.com. E para ver mais dessa entrevista e de muitas outras, venha conhecer o projeto Jovens & Empreendedores e acompanhe o nosso trabalho! 😉

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Responses

  1. Boa noite Jess,
    Achei muito interessante esta entrevista e gostaria de usa-la em minha apresentação na faculdade. Gostaria de saber a data desta postagem se possível. Muito obrigado!

Comentários fechados.

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