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Robô-repórter. O futuro do jornalismo?

Imagine a cena: um jornalista acorda pela manhã, acessa o site do jornal onde trabalha e encontra uma notícia nova, assinada por ele. Não foi nenhum engano do jornal que publicou a notícia com o nome do jornalista errado, foi um algoritmo que escreveu a matéria por ele. Como assim? Eu explico.

Ao invés dele mesmo escrever todas as suas matérias, nosso amigo jornalista desenvolveu um conjunto de instruções passo a passo para o robô captar dados sobre determinado assunto. Por exemplo, deslizamentos de terra causados pelas chuvas. O algoritmo trabalha com estatísticas e transforma isso numa notícia.

Isso já acontece em várias redações, e nós, lendo as notícias, muitas vezes nem nos damos conta disso.

Algoritmos podem ser códigos de computador altamente complexos ou relativamente simples. Eles podem até mesmo funcionar como uma espécie de receita, ou um conjunto de etapas repetitivas, concebidas para realizar uma função específica. Jogar xadrez com o computador ou o corretor automático nas nossas mensagens de texto, por exemplo, são obras dos algoritmos.

E no caso que estamos tratando, a função do algoritmo é derivar e compor notícias coerentes a partir de uma série de dados. Em teoria, isso libera os jornalistas para outras atividades, como fazer entrevistas, buscar fontes, ao invés de terem que caçar certas informações em relatórios complexos. Esse trabalho seria feito pelos robôs.

No entanto, há questões éticas, como assinar um artigo que não foi de fato feito pelo jornalista, mas pelo robô. Para alguns, isso não é problema, uma vez que seria o jornalista quem iria construir esse algoritmo, tomando ele as decisões editoriais.

Os algoritmos hoje são relativamente simples, mais empregados em pequenos fluxos de dados que estão sendo atualizados regularmente com informações formatadas de forma consistente, como resultados de jogos e a previsão do tempo.

Mas, mesmo que um algoritmo possa analisar e manipular dados razoavelmente bem, o jornalismo ainda se baseia em não só filtrar, mas em encontrar outras informações disponíveis, e um modelo matemático não tem a capacidade de desenterrar novos fatos ou adicionar contexto.

Outra questão importante é que esse debate sobre os algoritmos gera em alguns jornalistas certa resistência com as novas tecnologias. Se bem empregadas, elas só têm a contribuir, uma vez que não podem de forma alguma tomar o lugar de um profissional. É esperar que as grandes empresas de comunicação priorizem a qualidade dos conteúdos.

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